SF1000 As Aparências Iludem

SF1000 As Aparências Iludem


Aparências iludem...


O SF1000 é sem dúvida uma evolução do SF90, até mesmo na decoração do monolugar, mas ao microscópio quase passa por um carro completamente novo.


A filosofia aerodinâmica é a mesma, à frente uma asa “inboard loaded” (para perceberem os dois tipos de asa que as equipas utilizam sigam este link), que apesar de beneficiar a condução do ar à volta das rodas dianteiras, tem uma capacidade inferior de gerar carga aerodinâmica. Um problema que a equipa de Maranello só conseguiu começar a resolver em Singapura 2019


Sem mais rodeios o que muda?


Comparando os carros à data que foram apresentados, podemos ver que os perfis da asa da frente são ligeiramente diferentes, ainda que obedecendo à mesma filosofia do SF90. As “lâminas” que se situam por baixo do nariz também elas têm uma nova geometria e são em maior número (a função destas peças é conduzir o ar que passa na parte inferior do carro para os bardge boards). Um pouco mais atrás, logo depois das rodas dianteiras temos agora um conjunto de três aletas verticais, também elas nova adição. Os bardge boards são de uma complexidade tremenda, vários boomerangs dispostos nas mais diversas direções, assim como vários redirecionadores de fluxo.


Estas alterações, certamente fruto de um trabalho evolutivo, conduzem-nos talvez à maior surpresa, os sidepods, a admissão de ar é nova, mais agressiva, parece possuir o intuito de direcionar o ar para o solo (que sofre também alterações como se vê pelas ranhuras) e à volta do sidepod. A acompanhar um conjunto de asas verticais e nem o suporte dos espelhos ficou de fora da revolução.


Os cornos regressam, a barbatana sofre alguma alteração (já havia sofrido durante a época passada) e a T-Wing sofre também um face-lift.


As jantes douradas, bem, essas são só um desejo.



Na vista lateral (abaixo), podemos observar o nível de detalhe nos novos bardge boards, é de facto um trabalho incrível da Scuderia Ferrari.


A nova barbatana indica também outro aspecto que não é tão fácil de perceber devido às imagens disponibilizadas. A cobertura do motor é nova e parece ser mais apertada, a geometria “garrafa de coca-cola” mais extremada.


Já o rake (inclinação do carro / ângulo de ataque), parece ser o mesmo, mas é difícil de escrutinar nestas imagens de apresentação.


O que altera também é a asa posterior, com um novo perfil lateral e novo posicionamento das ranhuras.



Na perspectiva frontal voltamos a observar as diferenças nas asas e o quão distintos são os novos sidepods. Relembramos que a Ferrari em 2017 foi pioneira na introdução deste tipo de estruturas laterais, já que obedecia à regra imposta pela FIA que obriga aos carros a possuírem uma ligeira inclinação para formarem uma geometria de flecha, mas permitia ao monolugar não comprometer na admissão de ar. E por isso não deixa de ser uma surpresa que a Ferrari se reinvente.


Vemos também pequenas alterações em pontos específicos como a suspensão. A Ferrari implementa o sistema articulado no braço superior introduzido pela Mercedes, este sistema permite ao carro diminuir a altura ao solo em curva, aumentando a sua eficácia aerodinâmica em curvas lentas e reduzindo a instabilidade.


No GP de Singapura de 2019 a Ferrari introduziu uma grande actualização aerodinâmica, que inclusive lhe permitiu vencer a prova e com direito a dobradinha. Nessa altura e uma ou outra vez dissemos que essa actualização não seria o suficiente para vencer o campeonato, mas poderia ter um papel preponderante na época de 2020.


Reparem na imagem que se segue. É uma fotografia precisamente dessa actualização de Singapura, as parecenças são óbvias com a nova asa do SF1000, ainda que esta tenha umas narinas maiores, capa mais longa e os perfis ligeiramente diferentes.



O que significa tudo isto?


Não é fácil prever os efeitos, ainda por cima quando não temos acesso a qualquer dado do túnel de vento. Mas podemos tentar perceber aquilo que a Ferrari quer fazer

2019 foi um ano em que se introduziram novas asas da frente, a Ferrari optou por uma filosofia, mas só a fez trabalhar a meio da época.


Evolui o seu carro e pensa 2020 de forma a optimizar e a implementar soluções com as duras lições da época transata.


A asa da frente terá a mesma finalidade do que aquela que foi introduzida em Singapura. Aumentar a carga aerodinâmica na dianteira do monolugar, mantendo o escoamento de fluxos à volta dos pneus. Este é auxiliado por dois potenciais pontos de criação de vórtices (estrelas de 3 pontos azuis). Os vórtices são importantes no sentido em que ajudam a escoar outros fluxos de ar ou ar turbulento e é normal que as equipas tentem criar dentro do possível estes fluxos mais energéticos.


Nos bardge boards não sabemos que tipo de problemas teria a Ferrari, mas foram claramente área de muito trabalho e muito foco. Potenciais problemas com a turbulência das rodas dianteiras é uma possibilidade. Ineficácia no redirecionamento do ar que passa por baixo do nariz é outra. O que é certo é que este trabalho serve tanto para escoar fluxos instáveis como para limpar aquela zona alimentando o restante carro com fluxos laminares (ar limpo).


Já nos sidepods vemos outro potencial ponto de criação de vórtices, neste caso para ajudar com a turbulência das rodas posteriores.


Já a aleta na diagonal parece ter a função de adornar o ar de forma a que seja mais fácil para este aderir à superfície (isto é a definição de efeito coanda) imediatamente atrás do sidepod e à cobertura do motor. Caso assim seja ajudará na tarefa desempenhada pelo difusor o que por sua vez gera mais carga aerodinâmica.

Os cornos são um detalhe delicioso, pelo simples facto de que representam a F1 na sua componente mais técnica e minuciosa. A sua função estará certamente ligada à nova barbata, irá ajudar no seu trabalho de entregar um fluxo laminar à asa traseira e no controlo da rotação do carro sobre o seu próprio eixo. Trabalho este que é colmatado pela nova T-Wing.


No que toca às suspensões realçamos novamente ao braço articulado (seta a amarelo) e a suspensão traseira parece ter sofrido algumas alterações, infelizmente não tivemos acesso a melhores imagens para realizar uma comparação.


Por fim o solo. As ranhuras que podemos observar servem para selar o carro através da canalização de fluxos e criação de vórtices. Imaginem uma saia ao estilo dos carro de efeito de solo mas invisível e feita de ar.


Por agora, do SF1000 é tudo, se calhar até Barcelona ou até à Austrália, aí este artigo já deve estar desactualizado

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Imagem "sobre nós": https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Pedro_Lamy_-_Imola_1996.jpg

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