Mika Häkkiken: bicampeão há 20 anos

Mika Häkkiken: bicampeão há 20 anos

Hoje voltamos a falar da McLaren mas desta vez aproveitamos a boleia da casa de Woking para assinalar uma data importante: faz hoje, dia 31 de Outubro, 20 anos que Mika Häkkinen conquistou o seu segundo Mundial de Pilotos de Fórmula 1 com uma vitória no Japão, o penúltimo título da equipa inglesa até à data. Infelizmente para a McLaren, a desistência de David Coulthard impediu que a festa fosse completa e a Ferrari acabou por levar para casa o título de Construtores que desde então continua a escapar aos ingleses. O último campeonato de construtores para a McLaren continua a ser o conquistado no ano anterior, 1998, com a mesma dupla de pilotos.



O McLaren-Mercedes MP4-14 foi a arma do título para Mika Häkkinen. Ainda hoje é um dos carros mais ícones da equipa da Woking.


À época a Mclaren apresentava-se como a equipa a bater. Tinha estatuto de fábrica da Mercedes, uma dupla que conquistou ambos os títulos em 1998 após uma seca de 7 anos na sequência das saídas de Ayrton Senna e da Honda no início da década. Com Adrian Newey na Direcção Técnica da equipa e Mika Häkkinen nos seus melhores anos, a equipa batia-se com uma Ferrari sedenta de títulos que se apresentava com uma super-estrutura dirigida por Jean Todt com Rory Birne e Ross Brawn na Direcção Técnica e Estratégia, equipa essa liderada pelo Campeão Mundial de 1994 e 1995 Michael Schumacher, secundado por Eddie Irvine na tentativa de devolver o título de pilotos a Maranello, 20 anos depois de Jody Scheckter.


A época não começou bem para a McLaren. O MP4-14 revelou-se rápido mas pouco fiável numa fase inicial com ambos os carros prateados a abandonarem por problemas técnicos na Austrália. Schumacher não foi além do oitavo lugar e a vitória foi para o segundo Ferrari de Eddie Irvine. Häkkinen conseguiria a sua primeira vitória do ano logo à segunda corrida, no Brasil embora Coulthard tenha desistido novamente. Schumacher entrou numa série forte com vitórias em Imola e no Mónaco, com dobradinha da Ferrari, com mais uma desistência do finlandês pelo meio. Häkkinen respondeu em Espanha e no Canadá e em França houve uma surpreendente vitória do Jordan de Heinz-Herald Frentzen que ainda se veio intrometer na luta pelo título.


Após França a liderança era de Häkkinen com 8 pontos de avanço sobre Schumacher mas a Scuderia liderava nos Construtores. O Grande Prémio seguinte, na Grã-Bretanha viria a ser decisivo na luta pelo título. Häkkinen e Schumacher partilhavam a primeira linha mas uma falha de travões no Ferrari do alemão causaria um acidente violento na primeira curva do qual Schumacher saiu com uma perna partida. Terminavam ali as suas aspirações ao título com Schumacher a ter que estar fora até à penúltima prova na Malásia, na qual serviu a vitória de bandeja a Irvine.



Silverstone foi decisivo no desenrolar da temporada. O grave acidente de Schumacher colocou-o fora quase até final da temporada.


Aquilo que parecia ser uma estrada aberta para o título de Häkkinen veio a revelar-se não ser assim tão simples. Com o finlandês a desistir também em Silverstone, Irvine estava agora empatado com Schumacher a 8 pontos do homem da McLaren (com a vitória a valer 10 pontos) e rapidamente tomou o lugar do alemão na luta pelo título. Irvine não queria perder esta oportunidade única de ser campeão do Mundo e tratou de vencer as duas corridas seguintes na Áustria e na Alemanha. Saídos da casa da Mercedes, era Irvine quem tinha agora 8 pontos de avanço. Duas dobradinhas da McLaren no Hungaroring e em Spa reposicionaram Häkkinen e a McLaren no topo da tabela classificativa. No meio desta recuperação houve espaço para polémica com Coulthard a ganhar na Bélgica após ultrapassar Häkkinen e a não ceder a posição o que causou grande mal-estar na equipa numa altura da época em que o finlandês estava em plena luta pelo título. O finlandês inclusivé recusou-se a cumprimentar o seu companheiro de equipa no final da corrida.


Seguiram-se duas corridas com vencedores improváveis, Frentzen vence pela Jordan em Monza e Herbert, numa corrida de loucos à chuva, dá a primeira e única vitória à Stewart no GP da Europa em Nurburgring. Faltavam apenas duas corridas para terminar o campeonato e à saída da Europa, com 20 pontos em jogo, 4 pilotos podiam ainda ser campeões: Häkkinen liderava com 62 pontos, apenas mais 2 que Irvine mais 10 do que Frentzen que colocava um Jordan no pódio. Coulthard com 48 acalentava ainda algumas esperanças de ser campeão. Nos construtores a luta resumia-se a McLaren (110 pts.) e Ferrari (102 pts.).



Uma combinação vencedora: Häkkinen e o MP4-14.


Na Malásia a Ferrari contava novamente com Michael Schumacher que rapidamente mostrou estar de volta à boa forma e cedeu o primeiro lugar a Irvine para o ajudar na luta pelo título dando mais uma dobradinha para a Ferrari. À entrada para essa última corrida no Japão a liderança estava com o homem da Ferrari que tinha uma vantagem de 4 pontos sobre o finlandês da McLaren. Ambos tinham 4 vitórias à entrada para o Japão, por isso se Häkkinen ganhasse somaria os mesmos pontos que Irvine mas teria mais uma vitória, o que seria suficiente para ser campeão. No Mundial de Construtores a Ferrari liderava com 4 pontos de avanço para a McLaren após duas desistências consecutivas de Coulthard.



O arranque do GP do Japão foi decisivo e Häkkinen conquistou logo a liderança que não mais deixaria até final sagrando-se campeão.


Na última corrida, no Japão, as contas foram fáceis de fazer e na hora da verdade o finlandês não vacilou. Schumacher fez a pole pela primeira vez desde o seu regresso com o homem da McLaren ao seu lado. Na partida o finlandês assumiu a liderança que não mais largaria até final. Schumacher terminou em segundo a 5 segundos do primeiro lugar e Eddie Irvine seria apenas terceiro a mais de 1 minuto e meio do seu companheiro de equipa. Coulthard uma vez mais desistiu e a Ferrari conquistou finalmente o Mundial de construtores mas o homem do dia era Mika Häkkinen que de forma imperial confirmou o seu segundo e último título de pilotos com apenas 2 pontos de vantagem sobre Irvine , igualando à data o seu rival Michael Schumacher em títulos.



No pódio do GP do Japão Häkkinen festeja com Schumacher e Irvine nos degraus mais baixos do pódio.


Häkkinen e Schumacher apenas lutaram pelo título em conjunto durante quatro anos, entre 1998 e 2001 mas juntos construíram rivalidade lendária mas com um respeito tremendo. Será seguro afirmar que o finlandês foi o adversário mais respeitado pelo hepta-campeão durante a sua batalha pelos seus sete títulos. Häkkinen venceu em 1998 e 1999 e juntos tiveram mais um grande duelo no ano 2000 marcado pela célebre ultrapassagem do homem da McLaren ao da Ferrari na Kemmel Straight justo antes da travagem para Les Combes e que lhe permitiu sair da Bélgica com 6 pontos de avanço sobre Schumacher. Contudo, as últimas quatro corridas da época foram ganhas pelo alemão da Ferrari que assim conquistou o seu terceiro de sete títulos. Häkkinen apenas competiria mais um ano, em 2001. Após um violento acidente nos testes no início da época, a fazer lembrar o seu grave acidente em 1995, o finlandês começou a questionar a sua continuação e perdeu a motivação para correr. No final de 2001 anunciou que iria fazer um ano sabático que se tornaria definitivo. Foi substituído por outro finlandês, o jovem Kimi Räikkonen que deu imediatamente boa conta do recado.



Rivais apenas nas pistas. Em Spa 2000 Häkkinen explica a Schumacher como consumou a célebre ultrapassagem na recta Kemmel.


Para a história ficam os dois títulos mundiais de Mika Häkkinen com a McLaren-Mercedes e as suas 20 vitórias, 46 pódios, 26 pole-positions e 25 voltas mais rápidas.

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Imagem "sobre nós": https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Pedro_Lamy_-_Imola_1996.jpg

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