Heinz Harald Frentzen - The Loyal Driver

Heinz Harald Frentzen - The Loyal Driver


Falar do talento puro de um piloto de Formula 1, de qualquer outra categoria até, é sem dúvida importante, mas mais do que isso, é redutor e certamente uma qualidade que por si só não garante o sucesso.


Estamos numa fase em que muito se questiona por exemplo a entrega, espírito, motivação e até a resiliência de um certo piloto da Ferrari. Não queremos de forma alguma colocar esses aspectos em causa, mas essas dúvidas servem para o mote deste pequeno texto.


Relembramos assim Heinz Harald Frentzen, o Alemão nascido em Mönchengladbach ao dia 18 de Maio de 1967, que celebra o 20º aniversário da sua última vitória precisamente hoje no GP de Monza de 1999


Frentzen nasceu numa família de automobilistas, principalmente o seu pai era apreciador da modalidade. Foi este que suportou o início da sua carreira através do negócio que se transformou na imagem de marca da família, uma funerária. Aliás até durante a sua carreira na F1, Heinz Harald sempre fez questão de ajudar o seu pai, conduzindo inclusive o carro funerário e ainda hoje não é anormal vê-lo a ajudar a irmã (que entretanto tomou as rédeas do negócio). Quanto a nós, se tivéssemos a escolha, não vemos melhor forma de dizer adeus, desde que claro o caminho até ao destino fosse feito tirando proveito do talento do piloto.


No final dos anos 80 aumentava a pressão para que a F1 tivesse um piloto Alemão, assim sendo, a German National Motorsports Committee decidiu apoiar Schumacher e Frentzen, inclusive oferecendo como prémio um teste de F1 a quem vencesse primeiro uma prova de F3, engraçado ou não, quem acabou por fazer esse teste foi Wendlinger, o vencedor do campeonato. Confusões à parte, todos chegaria à categoria principal, como se sabe com destinos diferentes, mas pelo menos esse objectivo estava alcançado.


A vez de Heinz Harald Frentzen foi em 1994, ao volante de um Sauber, tendo precisamente como companheiro de equipa Wendlinger. Mais tarde Peter Sauber viria a dizer que o piloto Alemão foi um dos pilotos mais importantes para a equipa, e dava também as primeiras pistas da tão vazia prateleira de troféus. Segundo o já histórico director Suíço o ambiente ao redor do piloto teria que ser perfeito ou quase para que este conseguisse tirar partido das suas habilidades.


O período na Williams entre 97 e 98 é sem dúvida testemunho de isso mesmo, com o “difícil” Patrick Head a liderar a equipa, Frentzen nunca conseguiu impor as suas qualidades, e era comum ver uma boa qualificação seguida de uma corrida a andar para trás.


Em 1999 quem viu para além das dificuldades das duas últimas épocas foi Eddie Jordan, que já havia trabalhado com Frentzen, o ambiente era perfeito, a Jordan não era candidata, mas tudo ao seu redor era o ideal. Certamente a sua melhor época, por muitos considerado o piloto do ano, terminou em 3º lugar e esteve em contenção pelo título até bem perto do fim. Frentzen mostrava aqui todo o seu talento. O ponto mais alto da temporada talvez em Monza, local que marca a sua última vitória na F1. As coisas não pareciam encaminhadas para tal, apesar do seguro 2º lugar que manteve durante quase toda a prova, que ficou marcada por várias acidentes, Badoer e Pedro de la Rosa colidiram (estaria este último a enviar um email?). Fisichella e Pedro Diniz abandonaram na variante Rettifilo e Takagi levava à sua frente Badoer (que lista de talento fica aqui). Mas o importante para Frentzen era o erro de Hakkinen, que ao falhar uma mudança de caixa estaciona o seu McLaren na gravilha, dando origem não só à vitória do piloto da Jordan, mas também a uma das imagens mais marcantes da F1, o finlandês emocionado, a chorar entre as árvores de Monza.


Infelizmente para Frentzen, no ano 2000 percebe que o castelo da Jordan era afinal feito de cartas. O monolugar era pouco competitivo, a Honda passava a fornecer também a BAR e crucialmente a equipa de Eddie Jordan ficava atrás desta no campeonato de construtores. 2001 e a situação não melhor, pior, à mistura juntam-se lesões, desentendimentos com a equipa e fiabilidade paupérrima, contestada claro pelo piloto, levam a que Eddie Jordan dispense Frentzen a meio do ano, culminando numa troca com a Prost por Alesi.


Isto significava que a carreira do piloto alemão iria certamente sofrer um passo atrás, e assim foi, o destino para 2002 foi a Arrows. Ironia ou não, e não havendo pressão de resultados nem picardias desnecessárias, Frentzen volta a fazer uma boa temporada, ficando inclusive à frente dos dois Jaguares que utilizam o mesmo motor que a sua equipa.


O último ano de F1 foi vivido numa casa familiar, a Sauber em 2003, a seu lado estava um jovem talento do qual muito se esperava, Nick Heidfeld. Não lhe fez a vida nada fácil, mas para Frentzen chegava ao fim este caminho.


Um talento inegável com claras dificuldades em procurar o setup ideal para os seus carros e uma capacidade abaixo da média para lidar com as politiquices. Um piloto que no seu dia, no sitio certo era muito difícil de acompanhar

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Imagem "sobre nós": https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Pedro_Lamy_-_Imola_1996.jpg

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