Grande Prémio de Portugal: das origens aos nossos dias - parte 2 de 3

Grande Prémio de Portugal: das origens aos nossos dias - parte 2 de 3

Estoril e o regresso da Fórmula 1 a Portugal


Vinte e quatro anos se passaram desde que a Fórmula 1 visitará Portugal pela última vez e dezanove anos passaram desde que um Grande Prémio de Portugal se realizará. As bases para a realização de um possível regresso da Fórmula 1 foram lançadas ainda durante os anos 70 com a construção do Autódromo que mais tarde viria a ser conhecido por Fernanda Pires da Silva, no Estoril. Durante os primeiros anos o autódromo acolheu várias corridas de Fórmula 2 mas a categoria-rainha continuava longe do Estoril.


Estávamos então em 1984 e a FISA viu-se a braços com problemas no calendário no final da época: dois circuitos citadinos, um deles no bairro de Queens, em Nova Iorque e outro previsto para Fuengirola, em Espanha, foram cancelados o que deixava o calendário com apenas catorze eventos e a terminar no início de Setembro. A FISA teve então que encontrar soluções de recurso. Para o lugar da prova nova-iorquina a solução recaiu no novo traçado de Nürburgring e para o lugar da prova espanhola a solução estava mesmo ali ao lado. Assim, em Junho de 1984, apenas quatro meses antes da data em que a prova se realizaria, é anunciado que o Estoril acolherá a décima-sexta e última prova do Mundial de Fórmula 1 desse mesmo ano.

Cartaz do 4º Grande Prémio de Portugal em Fórmula 1, primeiro no Estoril

Foi assim que no dia 21 de Setembro de 1984 vinte e sete carros estavam à partida para o IV Grande Prémio de Portugal. Sim, o quarto Grande Prémio de Portugal. Apesar de já se terem disputado 12 edições do Grande Prémio de Portugal o ACP optou por apenas considerar aquelas que tinham contado para o Mundial de Fórmula 1. Assim, o décimo-terceiro Grande Prémio passava a ser o quarto.


À partida para a prova do Estoril estava o título de pilotos em jogo: Niki Lauda saíra de Nürburgring com 3,5 pontos de avanço sobre o seu companheiro de equipa Alain Prost e bastava-lhe ser segundo para se sagrar campeão. Entre os construtores, a McLaren-TAG já tinha o título mais do que assegurado com mais pontos que Ferrari e Lotus juntos, respectivamente segundo e terceiro classificados no Mundial.

Partida para o primeiro Grande Prémio de Portugal no Estoril, 24 anos depois da última visita da F1 a Portugal. Em jogo: o título de pilotos!

Lauda qualificou-se apenas em décimo-primeiro e Prost fez a pole o que deixava tudo em aberto para a corrida. Outro ponto de interesse para o público era o jovem rookie brasileiro da Toleman, um tal de Ayrton Senna da Silva que fazia a sua estreia num circuito onde viria a ser muito feliz. Senna causou sensação ao colocar o modesto Toleman no terceiro lugar durante a qualificação. Voltando à corrida, Lauda seguia em terceiro lugar após ter passado justamente o Toleman de Senna e perseguia Mansell para tentar chegar ao segundo lugar que lhe garantia o título. Na frente, Prost fazia o que tinha a fazer e liderava mas à volta 52 um dos travões dianteiros do Lotus de Mansell cedeu, causando um pião ao inglês e consequente desistência. Lauda era agora segundo quando faltavam apenas 18 voltas para o final do campeonato e não mais perdeu o lugar conseguindo assim o seu terceiro e último título mundial. Logo atrás de si um sensacional Ayrton Senna terminava em terceiro dando o terceiro e último pódio do ano e de sempre à Toleman. No ano seguinte Senna rumaria à Lotus para o lugar de Mansell que deixava a Lotus rumo à Williams após o final da temporada.

Prost venceu mas foi Niki Lauda quem se sagrou campeão com apenas meio ponto de avanço sobre o francês

SEreNNAta à chuva e afirmação no calendário


Provando que não há fome que não dê em fartura, os portugueses tiveram que esperar apenas 6 meses para poder voltar a ver a Fórmula 1 ao vivo. Para 1985 o Grande Circo estava de volta ao Estoril mas numa nova data, a 21 de Abril, ocupando agora o lugar de segunda prova no calendário.

A capa do Autosport dessa semana resume bem o que se passou em pista: uma autêntica Serennata à chuva

Foi precisamente no Lotus preto e dourado com as cores da John Player Special que Senna conquistou aquela que seria a sua primeira pole do ano no Sábado. A pole-position foi só um aperitivo para o que se seguiria no Domingo: num dia frio e debaixo de chuva torrencial, Senna fez uma corrida perfeita e juntou a volta mais rápida e a vitória, a primeira da sua carreira, à pole-position do dia anterior. O domínio de Senna foi tal que deixaria o Ferrari de Michele Alboreto a mais de um minuto e todos os restantes carros a pelo menos uma volta de distância. Nascia assim a lenda de um dos melhores pilotos de sempre à chuva.


Debaixo de chuva torrencial Ayrton Senna deu um festival de condução para obter a sua primeira vitória da carreira

Em 1986 o Grande Prémio de Portugal mudaria uma vez mais de data, estabelecendo-se definitivamente em finais de Setembro, aquela que seria a sua data habitual enquanto fez parte do campeonato do mundo. À semelhança do ano anterior, Senna conseguiria a pole-position na frente de Mansell mas seria rapidamente ultrapassado pelo homem da Williams que iria dominar por inteiro a corrida. Senna era segundo quando, já na última volta da corrida, ficou sem gasolina, terminando mais cedo a prova. Ainda assim, foi suficiente para classificar-se no quarto lugar final, atrás do McLaren-TAG de Prost e do Williams-Honda de Piquet. O título ficaria em aberto com Mansell, Piquet e Prost ainda poderem ser campeões. Com o quarto lugar, Senna ficava fora da corrida. Entre os construtores, a Williams fazia a festa em Portugal com o duplo pódio de Mansell e Piquet a ser suficiente para fechar as contas.


No ano seguinte, novamente em Setembro, a corrida ficaria marcada por um aparatoso acidente na partida envolvendo 8 carros. Apesar do aparato, ninguém ferido e praticamente todos os pilotos puderam retomar a corrida no carro de reserva. O azar bateu à porta de Christian Danner, o único a ficar de fora do recomeço uma vez que o seu colega de equipa na Zakspeed, Martin Brundle, também esteve envolvido no acidente e ficou com o único carro de reserva disponível. Gerhard Berger tinha a pole mas o homem da Ferrari foi ultrapassado por Nigel Mansell, tal como tinha acontecido na primeira partida. Berger rapidamente retomaria a liderança, posição que manteria até duas voltas do fim onde iria cometer um erro e fazer um pião quando estava sob pressão de Prost. A vitória de Prost seria a vigésima-oitava da carreira, ultrapassando assim o record de vinte e sete vitórias de Jackie Stewart. Prost manteria o título de piloto mais vitorioso até 2001 quando a vitória de Michael Schumacher na Bélgica, a quinquagésima-terceira da sua carreira, fez do alemão o mais vitorioso de sempre.

A vitória de Prost em 1987 permitiu-lhe tornar-se o piloto mais vitorioso de sempre à época

Berger foi então segundo com Piquet em terceiro lugar mas que lhe permitia sair do Estoril com uma confortável vantagem sobre Senna que tivera problemas electrónicos no seu Lotus e fora apenas sétimo. Como curiosidade, refira-se o azar de Teo Fabi: uma vez mais o quarto classificado terminou a corrida mais cedo por falta de gasolina. Desta vez, a “vítima” foi o homem da Benetton.


A era Prost-Senna


A corrida de 1988 foi uma das mais emocionantes que o circuito português já viu. Neste ano os McLaren-Honda tinham um domínio absoluto sobre a concorrência e a equipa de Ron Dennis vencera todos os Grandes Prémios até aí. Todos? Bem, todos menos um, notavelmente a corrida anterior em Itália. a rivalidade entre os pilotos da McLaren estava ao rubro e, no Estoril, Senna era claramente o piloto da casa. Para desgosto da maioria do público, foi Prost que conseguiu a pole-position com o brasileiro ao seu lado na primeira linha. O arranque foi marcado por várias problemas: a primeira partida foi abortada após Andrea de Cesaris ter deixado o seu Rial ir abaixo na grelha. À segunda tentativa, novamente o mesmo problema, agora com o Arrows de Derek Warrick, desta vez com consequências mais graves pois o próprio de Cesaris acertou em Warrick envolvendo também o Lotus de Satoru Nakajima e o Minardi de Luis-Pérez Sala.


Um "chega pra lá" entre Prost e Senna com o brasileiro a tentar apertar o seu colega contra o muro das boxes

À terceira foi de vez e finalmente a corrida decorreu normalmente. Entretanto, Senna e Prost já tinham começado a trocar mimos durante as partidas falhadas com Senna a acusar Prost de o ter tentado bloquear e atirar para a relva. Senna passou Prost no arranque mas na volta 2 o francês aproveitou o cone de ar do brasileiro para ascender novamente à liderança. Furioso com Prost, Senna tentou apertar o seu colega de equipa contra o muro das boxes durante a ultrapassagem, numa imagem ainda hoje célebre. Senna acabaria por perder diversas posições devido a um erro de leitura do seu carro no consumo de combustível que o forçou a abrandar o ritmo desnecessariamente. Prost venceu e saiu de Portugal com a liderança no Mundial reforçada.


Notável também na corrida foi o segundo lugar de Ivan Capelli no modesto March naquele que seria o primeiro pódio do italiano e a última vez que um March terminaria tão alto no pódio. Capelli foi pressionado durante parte da corrida por Berger que fez a volta mais rápida durante o ataque. Quando o austríaco pressionava Capelli, tentou ajustar a sua posição de condução mas… carregou no botão errado e fez disparar o extintor. Com a perna gelada pela descarga de neve carbónica, o pé de Berger escorregou e fez um pião que o forçou a desistir. Thierry Boutsen herdou o terceiro lugar para a Benetton.


A corrida de 1989 seria uma vez cheia de eventos e de factos notáveis. Numa temporada novamente dominada pela McLaren-Honda, Senna fez a pole mas foi ultrapassado por Berger na partida e ficando sob pressão de Mansell. O britânico acabaria por ultrapassar Senna e mais tarde chegaria à liderança após ultrapassar também Berger. O momento crucial da corrida aconteceria durante a paragem nas boxes de Mansell: o piloto entrou na sua zona de boxes com demasiada velocidade e falhou a travagem no sítio certo. A sua equipa rapidamente se deslocou para junto do carro para assistir Mansell mas o piloto da Williams resolveu engrenar a marcha-atrás e colocar o carro de novo no sítio certo. Os mecânicos poderiam empurrar o carro manualmente de volta mas a marcha-atrás na via das boxes era uma manobra expressamente proibida. De regresso à pista, Mansell foi desqualificado e foi-lhe mostrada a bandeira preta pela manobra ilegal. Um furioso Mansell resolveu ignorar a bandeira preta e manteve-se em pista. À volta 48, Mansell tentou ultrapassar Senna mas o Ferrari e o McLaren colidiram e ambos os pilotos ficaram fora da corrida. O incidente prejudicou seriamente as hipóteses do brasileiro revalidar o título pois Alain Prost acabaria por ser segundo classificado e saiu do Estoril com 24 pontos de avanço quando restavam apenas 30 em jogo. Mansell acabaria por ser banido da corrida seguinte por ter ignorado as bandeiras pretas.

Mansell já tinha visto a bandeira preta mas isso não o impediu de ir à luta com Senna e terminar a corrida de ambos

Com tudo isto, a vitória de Berger acabou por passar quase despercebida mas o que não passou despercebido a ninguém foi incrível feito de Stefan Johansson que no meio da confusão colocou o seu Onyx-Ford no lugar mais baixo do pódio. Para se ter noção do feito de Johansson, o seu companheiro de equipa, JJ Lento nem sequer se pré-qualificou para a corrida, algo que sucedera com Johansson na corrida anterior e iria acontecer nas três corridas restantes. Entre os dois carros, apenas por cinco vezes a Onyx veria a bandeira de xadrez nesse ano com Johansson a conseguir também um incrível quinto lugar em França. Juntamente com o pódio português, foram os únicos pontos do pequeno construtor inglês durante os seus dois anos na categoria máxima do desporto automóvel. Nota ainda para a classificação dos dez primeiros lugares com dez carros de dez equipas diferentes a ocuparem o top-10. Entre esses carros estava o Minardi de Pierluigi Martini que terminou na quinta posição mas o mais notável foi Martini ter passado pela liderança durante a prova, a primeira e única vez que um Minardi liderou uma corrida durante os seus 21 anos de história.

À volta 40 da corrida de 1989 fez-se história: pela primeira e única vez um Minardi liderava um Grande Prémio, feito de Pierluigi Martini

No início dos anos 90 o Grande Prémio de Portugal era já uma prova consolidada no calendário da Fórmula 1 muito devido ao trabalho do ACP e à influência e prestígio de Alfredo César Torres. Olhando um bocado para trás, César Torres fora uma figura fundamental na realização do primeiro Grande Prémio no Estoril, ele que já fora também o grande responsável pelo crescimento e prestígio que o Rally de Portugal conseguira obter. César Torres fora eleito vice-presidente da FIA em 1986 e em 1990 seria reeleito para o mesmo lugar. Em 1993 assumiria o cargo de Presidente-Delegado para o Desporto, cargo para o qual seria reconduzido em 1997, ano da sua morte.

Voltando à pista, 1990 seria um ano mais “normal” e onde a luta Senna-Prost seria uma vez mais protagonista. Prost era o campeão em título e estava agora na Ferrari onde fazia dupla com Mansell. Senna tinha a seu lado o antigo homem da Ferrari, Gerhard Berger. Na qualificação a Ferrari ocupou a primeira linha com Mansell na frente de Prost e seguido de Senna. O mau arranque dos Ferrari permitiu à dupla da McLaren assumir a liderança com Senna na frente enquanto Prost caiu para trás do Benetton-Ford de Piquet. Após as paragens Senna liderava mas tinha Mansell no seu encalço. Mansell acabaria por passar Senna que, depois do que havia acontecido no ano anterior, não se tentou defender pois o resultado permitia-lhe sair do Estoril com uma liderança reforçada face a Prost e assim foi até final com o brasileiro a terminar atrás de Mansell e na frente de Prost.

Ayrton Senna na frente de Nigel Mansell, a caminho do título de 1990

O final do Grande Prémio chegaria mais cedo com o Arrows de Alex Caffi a colidir com o Lola de Aguri Suzuki. Com o carro de Caffi parado numa zona perigosa da pista, a corrida foi interrompida e com mais de 75% da distância total já percorrida, não seria retomada. Senna saía do Estoril com uma confortável vantagem de 18 pontos sobre Prost e duas corridas depois confirmaria o título no Japão.


Portugueses em pista e o domínio da Williams

Em 1991 Ayrton Senna estava novamente a caminho do título mas desta vez a luta era com Nigel Mansell, agora na Williams. A Williams dominou a corrida com Ricardo Patrese a fazer a pole-position e o italiano acabaria mesmo por vencer. Pelo meio, Mansell fez a volta mais rápida e liderava a corrida desde a volta 18 quando o azar lhe bateu à porta. Na volta 29 Mansell foi às boxes e uma vez mais a box do Estoril estragou a corrida do britânico: um erro de comunicação entre a equipa de mecânicos causou a que o Williams arrancasse com uma roda mal apertada e Mansell parou imediatamente alguns metros à frente, sem roda traseira direita. A equipa de mecânicos correu para junto do carro e colocaram a roda em falta na via das boxes. A manobra era obviamente proibida, as rodas não podiam ser trocadas fora da box da equipa e, à volta 51, Nigel Mansell voltou a ver a bandeira preta no Estoril e foi novamente desqualificado, ordem que desta vez acatou.

A roda traseira direita ficou por apertar e Mansell pára na via das boxes em três rodas

Ricardo Patrese colocava assim o Williams-Renault no lugar mais alto do pódio, seguido do McLaren-Honda de Senna e do Ferrari de Jean Alesi. Senna tinha agora 24 pontos de avanço sobre Mansell quando estavam apenas 30 em disputa.

A prova teve ainda a participação de um piloto português mais de 30 anos depois da aventura de Nicha Cabral. Pedro Matos Chaves corria pela Coloni mas a época estava a ser um autêntico pesadelo e nunca conseguiu passar da pré-qualificação. Dos 38 carros presentes no Estoril, 8 tinham que disputar a pré-qualificação e o Coloni de Matos Chaves ocupou a oitava e última posição entre os carros que disputaram a pré-qualificação e ficou de fora da corrida. Após a prova portuguesa Matos Chaves recusou-se a voltar alinhar pela equipa italiana, eles que tiveram que falhar a prova seguinte em Espanha porque não encontraram ninguém que estivesse disposto a guiar o carro… O GP de Portugal de 1991 seria também o último do reinado do polémico Jean-Marie Balestre à frente da FISA com o inglês Max Mosley a suceder-lhe na semana seguinte.

Pedro Matos Chaves ao volante do desesperadamente lento Coloni C4, aqui fotografado no GP anterior em Itália

O domínio da Williams continuaria nos anos seguintes e apenas Michael Schumacher quebraria a hegemonia da formação de Grove no Estoril ao vencer em 1993 com um Benetton-Ford. Voltando a 1992, a corrida desse ano foi o primeiro Grande Prémio desde 1987 onde todos os inscritos tiveram automaticamente lugar à partida. Com a histórica Brabham a ter ficado pelo caminho duas corridas antes e a absurda Andrea Moda a fechar portas na jornada anterior, desta vez foi a Fondmetal que ficou pelo caminho deixando assim o pelotão reduzido aos 26 carros máximos permitidos na grelha.


Os Williams dominaram uma vez mais e Mansell fez a pole-position e venceu sem oposição apesar de Senna ter ficado com a volta mais rápida. Seria a última volta mais rápida que um carro com motor Honda faria até ao Grande Prémio de Itália de 2016 e a última vez que dois McLaren com motor Honda marcariam pontos na mesma corrida até à Hungria 2015. O momento mais marcante da corrida ocorreria à volta 43: Gerhard Berger apercebeu-se do estado de degradação dos seus pneus e encostou-se à direita na recta da meta para entrar na via das boxes e substituir os Goodyear do Williams. Patrese seguia no cone de ar do McLaren e não se apercebeu da desaceleração súbita do austríaco para entrar na via das boxes. O italiano da Williams falhou completamente a ultrapassagem e acertou em cheio na roda traseira esquerda do McLaren, levando voo em plena recta de tal maneira que quase atingia um dos cartazes publicitários que estavam por cima da recta da meta. O Williams de Riccardo Patrese acabou em três rodas a deslizar pela recta junto ao muro mas felizmente o piloto não sofreu qualquer lesão no acidente. Schumacher e Martini furaram ao passar por cima dos destroços do Williams e tiveram que parar. JJ Lehto sofreu ferimentos ligeiros numa perna depois de alguns destroços terem entrada por baixo do seu Dallara e causado alguns arranhões na perna do finlandês.

Riccardo Patrese no seu Williams destruído depois da aterrar na sequência do acidente com Berger

Berger iria ainda conseguir terminar em segundo, atrás de Mansell e na frente do seu companheiro de equipa, Ayrton Senna. Num ano de domínio absoluto, Mansell e a Williams tinham chegado ao Estoril já com ambos os títulos no bolso mas o resultado permitiu a Senna ultrapassar Schumacher no segundo lugar depois do alemão ter ficado fora dos pontos devido ao furo.


Para 1993 a corrida do Estoril tinha um interesse adicional para o piloto português: depois da tentativa falhada de Pedro Matos Chaves apenas dois anos antes, finalmente um piloto português iria estar à partida de um Grande Prémio de Portugal em Fórmula 1. A responsabilidade estava nos ombros de Pedro Lamy, ele que lutava com Olivier Panis pelo título da F3000 Internacional e que se estreara na corrida anterior, em Itália, para substituir Alessandro Zanardi na Lotus. Zanardi sofrera um violento acidente nos treinos livres do Grande Prémio da Bélgica e ficou afastado da competição durante vários meses.


Lamy qualificara-se no décimo-oitavo posto entre vinte e seis carros, quatro lugares atrás do seu companheiro de equipa, o experiente Johnny Herbert. Lá na frente a Williams ocupou a primeira linha da grelha com Damon Hill na frente de Alain Prost. A surpresa maior veio da segunda linha da grelha de partida. A McLaren tinha terminado a ligação com Michael Andretti e em Portugal fazia alinhar pela primeira vez o seu piloto de reserva, o finlandês Mika Häkkinen que tinha vindo precisamente da Lotus no final do ano anterior. Na sua estreia pela McLaren Häkkinen deixou claro ao que vinha e bateu Senna na qualificação, colocando o seu McLaren-Ford em terceiro à frente do seu experiente companheiro de equipa.

Em 1993 a muito ansiada de um português no Estoril: Pedro Lamy alinhava pela mítica Lotus

Na partida o motor de Hill calou-se no arranque para a volta de formação, obrigando o inglês a sair do fundo da grelha. Na partida Prost perdeu terreno e um Senna obrigado a ganhar para manter as esperanças no título subiu a segundo, atrás do Ferrari de Alesi que assumira a liderança e na frente de Häkkinen que era terceiro. As esperanças de Senna foram por água abaixo logo na volta 20 quando o motor Ford do seu McLaren cedeu, deixando a questão do título para ser resolvida entre os dois Williams. Häkkinen despistou-se à volta 33 e pouco depois foi a suspensão do Ferrari de Berger a ceder. Após as paragens nas boxes Schumacher liderava seguido de Prost, posições que manteriam até final. Damon Hill recuperou até terceiro, na frente de Alesi e assim Prost celebrava o seu quarto e último título no Estoril, no mesmo local onde 9 anos antes perdera o campeonato por apenas meio ponto para Niki Lauda. A Williams festejou também o título de construtores nesse fim-de-semana com a Benetton e a McLaren a discutirem o segundo lugar nas duas corridas restantes. A Williams foi também notícia nesse fim de semana por se ter ficado a saber que iria perder, uma vez mais, o seu campeão do mundo com o anúncio do fim da carreira para Alain Prost. O motivo para a sua reforma vinha da box da McLaren com o francês a recusar-se a reeditar na Williams a dupla que formara com Senna na época seguinte e a optar por pendurar o capacete em vez disso. Ainda na corrida, Lamy despistou-se à volta 61 para desgosto do público português, curiosamente, apenas uma volta após o mesmo ter sucedido com o seu companheiro de equipa.

Partida para o Grande de Portugal de 1994. Viria a ser a última corrida em Portugal para Prost e Senna. Häkkinen estreou-se na McLaren e partiu na frente de Senna. Seria também a única vitória de Schumacher em Portugal

A vitória de Schumacher simbolizava também o fim de uma era. Piquet já se retirara dois anos antes e Mansell seguira o mesmo caminho no final de 1992. Agora era também a vez de Prost e, embora ninguém o pudesse prever na altura, seria também a última vez que Ayrton Senna correria no Estoril, onde conseguira a primeira vitória da sua carreira. Nomes como Schumacher, Häkkinen e Hill dominariam os anos seguintes, era uma nova geração que despontava no Estoril e que ainda ali iria correr mais alguns anos.

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Imagem "sobre nós": https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Pedro_Lamy_-_Imola_1996.jpg

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