Equipas falhadas: #8 - Prost Grand Prix: "drives like a truck"

Equipas falhadas: #8 - Prost Grand Prix: "drives like a truck"

O nosso oitavo classificado nesta lista nasceu para ser uma autência selecção francesa de Fórmula 1 mas acabou por ser uma falhanço nacional. Se Alain Prost se queixava que o seu Ferrari parecia um camião a conduzir, que dizer dos carros da sua equipa? Hoje lembramos a Prost Grand Prix.




A Equipe Ligier foi, durante 20 anos, umas das mais sólidas estruturas do meio do pelotão. Ao longo da sua história, conseguiu alcançar 9 vitórias, a última das quais no seu último ano de existência por Olivier Panis no Mónaco, e chegou até a ser segunda classificada no Munidal de Construtores.


No final de 1996 Alain Prost comprou a Ligier e transformou-a em Prost Grand Prix a partir da temporada de 1997. Na primeira temporada, tudo se manteve como estava. A equipa fez alinhar o JS45 já projectado pela Ligier com motores Mugen-Honda. No ano seguinte, a equipa já tinha chegado a acordo com a Peugeot para ter o fornecimento dos motores franceses, enquanto que a Mugen-Honda fazia o caminho inverso e passava para a Jordan.


A primeira tempoarada da Prost foi uma época de transição - o carro ainda era um projecto 100% Ligier e até a designação do JS45 reflectia isso mesmo.

Era um projecto ambicioso de criar uma nova equipa 100% francesa. Equipa, motores e até a maioria dos patrocínios (Alcatel, Bic, Gauloises, Total, Canal+). No alinhamento de pilotos, Olivier Panis representava as cores da França. Apenas Shinji Nakano (depois substituído por Jarno Trulli) e o patrocínio da Playstation “destoavam” nesta armada francesa. No papel, tinha tudo para correr bem: muito dinheiro fruto de uma carteira forte de patrocínios, motor oficial de um construtor, um ex-campeão do Mundo aos comandos, dupla sólida de pilotos (sobretudo com a entrada de Trulli). Na prática, foi um tremendo falhanço.


Após o ano de estreia ainda de transição, em 1998 a equipa estreia o AP01, o primeiro carro projectado e desenvolvido pela Prost e já com motores Peugeot que se veio a revelar um falhanço total. A equipa apenas fez um ponto no Mundial, terminando em nono, à frente apenas das agonizantes Minardi e Tyrrell, que abandonou no final dessa época. O carro provou ser lento e pouco fiável. A troca de motores com a Jordan também se mostrou infeliz. Os motores Mugen-Honda que ganhavam corridas com a Ligier, passaram a ganhar corridas corridas com a Jordan, enquanto os motores Peugeot que se revelavam lentos e pouco fiáveis com a McLaren e a Jordan, continuaram lentos e pouco fiáveis com a Prost.


A época de 1999 parecia ser um sinal de mudança para melhor e a Prost até um pódio conseguiu. Puro engano, o ano 2000 seria terrível para a equipa

1999 trouxe ligeiras melhorias com a equipa a terminar a época em sétimo, o que indicava que poderiam estar finalmente no bom caminho. A fiabilidade melhorou um pouco mas ainda assim foram catorze abandonos em dezasseis corridas entre os dois carros. Como ponto alto, o segundo lugar de Jarno Trulli no caótico GP da Europa que acabou com um pódio invulgar - dois Stewarts e um Prost. Foi o único dos três pódios que a Prost conseguiu alcançar que não foi obtido pelo JS45. No entanto, estas ligeiras melhorias foram sol de pouca dura: no ano 2000 a Prost bateu no fundo e não fez qualquer ponto, terminando em último no Campeonato do Mundo de Construtores com os carros azuis a verem a bandeira de xadrez por apenas 11 vezes em 34 possíveis. No final do ano, a Peugeot abandonou a Fórmula 1 para não mais voltar até aos dias de hoje.


A Prost ainda se aguentou uma última época com motores-cliente Ferrari rebaptizados Acer. Com os resultados em queda, a equipa foi perdendo patrocínios e, com isso, muito dinheiro. O último ano da equipa foi algo caótico com dívidas e trocas de pilotos frequentes. No carro #22 fez 12 corridas nas quais trouxe 4 preciosos pontos para a equipa após sair para a Jordan por troca com Frentzen. No carro #23, a época começou com Gaston Mazzacane que seria substituído por Luciano Burti. Burti também não terminaria a época após dois fortes acidentes que destruiram outros tantos chassis. O segundo, na Bélgica, mandou-o para casa sendo substituído por Tomas Enge.


O AP04 foi um grande salto face ao seu antecessor. Fiável e competente, permitiu à equipa obter 4 pontos e o nono lugar no Mundial de Construtores. Com o sistema de pontuação actual, Alesi teria pontuado em nove das doze corridas que fez na Prost, às quais se juntariam mais três top 10 entre Frentzen e Burti.


O AP04 foi o canto do cisne para a Prost. Quase sem patrocínios, sem apoio de um construtor, a equipa não regressia em 2002 apesar da última época bastante decente

O problema da equipa agora era a sobrevivência. No início da época, a entrada da família Diniz no capital da empresa trouxe o patrocínio da Parmalat e dinheiro mas as lutas de poder entre estes e Prost acabariam por afastar os brasileiros da equipa. Afogada em dívidas e apesar dos milhões que o nono lugar traria, a Prost não sobreviveu para alinhar em 2002. Terminava assim, sem honra nem glória, sem qualquer vitória, com numerosos abandonos e apenas dois pódios conseguidos na época de transição este ambicioso projecto de fazer uma equipa campeã do Mundo 100% francesa.


Após a extinção da Prost Grand Prix, houve ainda uma tentativa de trazer de volta em 2002 o que restou da equipa pela Phoenix Finance - mas isso será assunto para outro dia.


TL, DR: projecto de fazer uma equipa de topo 100% francesa. Tinha apoios, uma estrutura sólida e um construtor. Trocaram os motores que ganhavam corridas por uns que não terminavam e a equipa foi-se afundado até desaparecer e deixar apenas um rasto de dívidas.

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Imagem "sobre nós": https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Pedro_Lamy_-_Imola_1996.jpg

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