Equipas falhadas #7: HRT - Hispania Racing F1 Team: falir mesmo antes de nascer

Equipas falhadas #7: HRT - Hispania Racing F1 Team: falir mesmo antes de nascer


A falta de patrocínios logo na temporada inaugural não deixava um futuro radioso à HRT.

No final da primeira década do séc. XXI, Max Mosley decidiu alargar a grelha da Fórmula 1 a mais equipas e uma das novas entradas em 2010 viria a ser a equipa que ficou conhecida como HRT ou Hispania Racing F1 Team. No entanto, quando a equipa se estreou na grelha do Mundial de Fórmula 1, já tinha falido uma vez.


A HRT nasceu inicialmente da Campos Racing de Adrían Campos. Campos, em conjunto com a agência desportiva Meta Image decidiu avançar para a criação da primeira equipa espanhola de Fórmula 1, numa época em que a popularidade da modalidade estava em alta por lá. Nasce assim a Campos Meta 1. A sede administrativa da equipa seria em Madrid (na sede da Meta), as instalações técnicas seriam em Valência (na sede da Campos) e o chassis seria concebido e construído em Itália pela Dallara.


Apesar de terem conseguido trazer um conjunto interessante de investidores para a equipa, a verdade é que as verbas de que dispunham cedo se revelaram insuficientes, falhando pagamentos à Dallara ainda antes do carro estar pronto, o que viria a comprometer desde logo o desenvolvimento do F110. A apenas algumas semanas do arranque da temporada de 2010, a equipa foi comprada pelo empresário espanhol José Ramón Carabante, um dos investidores da equipa, e rebaptizada Hispania Racing F1 Team. O nome veio do Grupo Hispania, uma das empresas de Carabante. Adrían Campos foi afastado da equipa e substituído por Colin Kolles.


Com parcos recursos, um motor Cosworth pouco potente e um chassis sub-desenvolvido, a HRT nunca conseguiu chegar aos pontos e os carros arrastavam-se em pista. Com Bruno Senna e Karun Chandhok ao volante, a equipa esteve em risco de nem correr na primeira prova, no Bahrein pois nem chegou sequer a testar na pré-época. O carro de Senna ficou completo apenas a tempo da primeira sessão de treinos livres e o de Chandook não funcionava sequer durante as primeiras sessões. Ainda assim, ambos conseguiram alinhar na qualificação para ficar a mais de 8 e 9 segundos, respectivamente, da pole de Sebastian Vettel. Ainda assim, foram autorizados a participar na corrida partindo da via das boxes. A HRT foi presença regular no final da grelha ao longa da época, ainda assim, conseguindo regularmente levar os seus carros até final da corrida. No final da temporada, a equipa conseguiu escapar ao último por ter conseguido obter como melhor resultado, uma série de décimos-quartos lugares. O mesmo que a Virgin, mas a maior regularida da HRT permitiu escapar ao último lugar, ainda assim com zero pontos.


A relação com a Dallara tinha ficado pelo caminho em Maio com a HRT a acusar os italianos de serem responsáveis pela falta de andamento da equipa ao que estes responderam que sem pagamento não há desenvolvimento.


Para 2011 as coisas não melhoraram e a relação com a Dallara terminou devido à falta de competitividade do chassis. Como solução, um acordo teria sido feito com a Toyota para utilizarem o seu chassis de 2010 que estaria pronto mas nunca correu mas o acordo nunca se veio a concretizar por, mais uma vez, falta de pagamento. Também a associação de construtores, a FOTA, expulsão a HRT por falta de pagamento. As dúvidas existiram até à última sobre a participação da HRT no Mundial de 2011 mas a equipa conseguiu estar à partida para a nova temporada. O F111 era assim uma tímida evolução do já pouco competitivo F110 e, no primeiro GP da temporada na Austrália, com o regresso da regra dos 107%, a HRT falhou a qualificação de ambos os carros. A época foi má e o melhor que a equipa conseguia era o décimo-sétimo lugar, com excepção do décimo-primeiro posto de Liuzzi que permitiu à equipa uma vez mais escapar ao último lugar do Mundial, embora tenha continuado com zero pontos. O facto mais notável da equipa em 2011 foi a sua decoração. Sem conseguir arranjar patrocínios, a HRT contratou Daniel Simon, designer de veículos de ficção em Hollywood para desenhar a decoração do F111. A original pintura dos chassis espanhóis preenchida com mensagens de “este espaço pode ser eu” (que ninguém comprou, já agora) foi talvez o feito mais marcante da equipa durante a sua passagem pela Fórmula 1.

O outro feito de relevo da HRT foi também alcançado durante a temporada de 2011 ao permitir a estreia de Daniel Ricciardo no GP da Europa em Valência, substituindo Narain Karthikeyan.


"This could be you" - o melhor da HRT? Esta decoração hollywoodesca. Infelizmente, não trouxe qualquer apoio à equipa.

A meio de 2011 a HRT voltou a mudar de mãos, desta feita para a Thesan Capital, uma empresa espanhola de investimentos. A Thesan anunciou que não tinha planos para mudar o nome ou a estrutura da equipa, apenas pretendiam torná-la "mais espanhola". Quem também se manteve idêntico foram os resultados no que restou do ano assim como na época seguinte.


Em 2012 não houve grande história, a equipa voltou a arrastar-se pelo fim do pelotão e a não marcar um único ponto e desta feita não escapou ao décimo-segundo e último lugar do Mundial. O F112, agora com Pedro de la Rosa e Narain Karthikeyen ao volante, pouco desenvolvimento teve em relação ao ano anterior. A principal novidade que a HRT trouxe para 2012 foi uma nova decoração, desta vez mais clássica. Em termos técnicos, o atraso do F112 face ao restante plantel materializava-se em coisas como o facto de ser o único carro sem KERS ou não ter sequer um manípulo para ajustar o equilíbrio da travagem. 


O arranque da temporada foi novamente caótico e apenas conseguiram fazer um breve shakedown nos testes de Inverno. Na Austrália, o carro de de la Rosa não estava sequer pronto a tempo das verificações e tiveram de pedir à FIA para as adiar. Mais uma vez falharam também a qualificação no GP inaugural.


O F112 foi o canto do cisne do projecto iniciado por Adrian Campos.

Sem conseguir encontrar comprador a tempo de pagar a entrada na época de 2013, a equipa encerrou as suas portas no final do ano. A Dallara voltaria à Fórmula 1 na temporada de 2016 desta vez em colaboração com a Haas.


Para a história ficam três temporadas completas, cento e dezasseis participações em Grandes Prémios, zero pontos, um décimo-terceiro lugar como melhor resultado, três donos diferentes e a dúbia honra de ser a única equipa a falhar uma qualificação no século XXI. Resta-lhes o prémio de consolação, partilhado com a Caterham, de serem a equipa que mais Grandes Prémios começou sem conseguir obter um único ponto.


TL, DR: no topo da popularidade da F1 em Espanha, Adrián Campos tentou criar equipa espanhola. Sem dinheiro, a equipa faliu antes de nascer e mudou de nome e de mãos. Sem nunca sair do fundo do pelotão nem pontuar, voltou a mudar de mãos até acabar por desaparecer ao fim de 3 temporadas.

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Imagem "sobre nós": https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Pedro_Lamy_-_Imola_1996.jpg

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