Equipas falhadas: #6: Scuderia Coloni - quando o Mateus Rosé foi à Fórmula1

Equipas falhadas: #6: Scuderia Coloni - quando o Mateus Rosé foi à Fórmula1

Atualizado: 7 de Out de 2019


A Scuderia Coloni estreou-se com o FC187 - um carro amarelo é sempre bem-vindo ao pelotão

6CEnzo Coloni geria uma bem-sucedida equipa de Fórmula 3 que em 1986 decidiu dar o salto para a Fórmula 3000 onde falhou. Não sendo bem sucedido nesta categoria, isso não o impediu de dar um passo em frente: em 1987 apontou baterias ao Mundial de Fórmula 1 onde participou nos Grandes Prémios de Itália e Espanha.


No ano seguinte disputou então a sua primeira temporada completa, correndo apenas com um carro para Gabriel Tarquini. Viria a ser a melhor época da Coloni que se conseguiu qualificar para oito das dezasseis corridas que compunham a temporada. Dessas oito, apenas por quatro vezes terminaria a corrida conseguindo um honroso oitavo lugar no Canadá. Após essa época, não mais um carro de Enzo Coloni veria a bandeira de xadrez numa corrida de Fórmula 1.



1989 foi a primeira de três temporadas completas em que a Coloni não se conseguiu qualificar para um única corrida. Incrível é terem-se arrastado tanto tempo.


Para 1989, pela única vez, a Coloni alinhou com dois carros conseguindo o feito de qualificar ambos em Spa, com Roberto Moreno e Pierre-Henri Raphael. Nenhum deles terminou a corrida, naquela que foi também a única vez que a Coloni qualificou dois carros. Ainda assim, foi o melhor resultado da época. Moreno conseguiu qualificar-se por mais três vezes, sem terminar nenhuma corrida.


Anteriormente destacamos a EuroBrun por conseguir completar uma temporada sem se qualificar uma única vez mas quem leva a taça neste campeonato é a Coloni: conseguiu duas temporadas completas sem se qualificar uma única vez.


Este percurso espantoso começou em 1990 (em rigor, podemos até dizer que começou nos três últimos Grandes Prémios de 1989). Nesta temporada, a Subaru comprou a equipa a Enzo Coloni, mantendo-o na estrutura, e passou a equipar os Coloni-Subaru com um motor boxer que debitava pouco mais de 500cv numa altura em que as equipas da frente dispunham de mais de 650cv. Para ajudar, o carro estava cerca de 140kg acima do peso mínimo.



A participação da Subaru na F1 está certamente entre as mais curtas de sempre entre os fabricantes de automóveis. Rapidamente os japoneses perceberam que a Coloni era um caso perdido.


Como se não fosse já handicap que chegue, a equipa conseguiu piorar as coisas. À data em que a FIA embarcou o material das equipas para Phoenix, para a primeira corrida da época, o carro não estava sequer montado e foi em peças para os Estados Unidos. O C3B apenas seria montado pela primeira vez já nas boxes em Phoenix e fez o shakedown no parque de estacionamento de um supermercado próximo. Escusado será dizer que o carro não era competitivo (bem, já fomos antecipando essa informação, na verdade). Durante a época os resultados não melhoram e a Subaru despediu Enzo Coloni em Maio. Vendo que o projecto era um caso perdido, os japoneses decidem vender de volta a Enzo a sua antiga equipa. Assim, após Silverstone a Subaru deixa a Fórmula 1 e Coloni tem de volta a sua equipa sem patrocínios, sem motor mas ao menos sem dívidas. Os resultados esses, mantiveram-se inalterados.



Com a partida da Subaru a Coloni regressou ao seu tradicional amarelo. Enzo Coloni tinha agora uma equipa sem dívidas, sem motor, sem patrocinadores e sem competitividade. Mas tinha um carro amarelo.


Por fim, 1991 seria o último ano da Coloni na Fórmula 1 mas não deixariam a modalidade sem somar um novo record: conseguiram somar uma temporada completa (à excepção de Espanha onde não participaram por falta de piloto) sem se pré-qualificar sequer uma única vez. Um feito que dificilmente será batido nos próximos anos. Diga-se que nesta temporada a equipa era composta por apenas seis pessoas. O carro era uma nova derivação do velhinho C3 de 1989, agora rebaptizado de C4. As “evoluções” foram efectuadas por um grupo de estudantes da Universidade de Perugia.



Durante 13 corridas, Pedro Matos Chaves tentou fazer o impossível e levar o pouco competitivo Coloni C4 até à partida de um Grande Prémio. A equipa apenas resistiria até ao final dessa temporada.


Refira-se ainda que em 1991, até ao GP de Portugal, o piloto de serviço na Coloni foi o português Pedro Matos Chaves. Foi o primeiro português a participar no Mundial desde Nicha Cabral, nos anos 60, e foi também a única altura em que vimos o Mateus Rosé a decorar um carro de Fórmula 1. Após a corrida portuguesa, face à falta de competitividade da equipa e sem se conseguir pré-qualificar, Matos Chaves bateu com a porta, deixando Enzo Coloni sem piloto e rumou aos States. A Coloni era então um lugar tão pouco apelativo que não conseguiu arranjar quem quisesse pilotar para si no GP seguinte, em Espanha. O japonês Naoki Hattori viria a juntar-se à equipa para disputar as duas últimas provas, na sua corrida caseira no Japão e por fim na Austrália. Os resultados, foram os mesmos.



A Galp e o Mateus Rosé apoiaram a aventura de Pedro Matos Chaves na Coloni. A Galp voltaria com Tiago Monteiro já na década seguinte.


No final da temporada a Coloni deixaria a Fórmula 1 para se dedicar às fórmulas de promoção, particularmente F3000 e GP2 onde se manteria até 2012.


O saldo final da sua passagem pela F1, foram cinco temporadas, oitenta e uma entradas em Grandes Prémios, catorze qualificações para corrida, quatro corridas terminadas, zero pontos e cinquenta e quatro tentativas falhadas de se pré-qualificar.


TL, DR: equipa de moderado sucesso nas categorias júnior tenta dar o salto para a Fórmula 1 sem ter reunidas as condições para isso. Após duas temporadas seguidas sem se conseguir qualificar para nenhum Grande Prémio, voltou às Fórmulas de promoção.

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Imagem "sobre nós": https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Pedro_Lamy_-_Imola_1996.jpg

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