Equipas falhadas #3 - Mastercard Lola: plafond excedido

Equipas falhadas #3 - Mastercard Lola: plafond excedido


A Mastercard Lola durou tão pouco que as imagens do carro são escassas mas suficientes para ver que tem tanto trabalho de desenvolvimento aerodinâmico como um guarda-fatos.

A Lola Cars é um nome que dispensa apresentações para a maioria dos adeptos de desportos motorizados. Entre 1958 e 2012 fabricaram com sucesso carros para as principais categorias do desporto automóvel, desde os sport-protótipos, passando por diversas fórmulas de promoção até à IndyCar/CART onde foram particularmente bem sucedidos. A Fórmula 1 não foi excepção e ao longo dos anos a Lola produziu chassis para diversas equipas como a Parnell, Embassy Hill, Honda, Haas Lola, Larrousse ou BMS Scuderia Itália mas nunca em nome próprio. Durante os anos 90 isso iria mudar embora tenha durado muito pouco tempo…



Se algum dia chegasse à grelha a excêntrica combinação de cores do T97/30 permitiria facilmente identificá-lo no meio do pelotão.


A Lola começou a planear a sua entrada em meados da década de 90 com a intenção de entrar no Mundial de 98 com motores Ford V8 cliente enquanto um motor próprio era desenvolvido em conjunto com uma empresa de consultoria para encaixar especificamente no seu chassis. À partida tinha tudo para ser um projecto sólido: a Lola tinha vasta experiência em desenhar monolugares e havia dinheiro com a chegada de um patrocinador com bolsos fundos – a MasterCard. Contudo, aquilo que à partida parecia uma boa notícia veio-se a transformar no que condenou a equipa.


O construtor inglês tinha intenção de participar apenas no Mundial de 1998 mas a MasterCard tinha outros planos: exigiram que a equipa arrancasse já em 1997. Isso veio-se a revelar um desastre.


A equipa apresentou-se na Austrália, para a primeira prova da época, com um carro que praticamente não testou e com graves problemas aerodinâmicos. Devido ao apressar do desenvolvimento o carro não teve qualquer hora de teste em túnel de vento, o que à época já era impensável, e isso traduziu-se na pista. O T97/30 era mais lento que o carro de F3000 que a própria Lola produzia. Comparativamente com a pole feita por Jacques Villeneuve, Vicenzo Sospiri e Ricardo Rosset foram, respectivamente, 11 e 13 segundos mais lentos, falhando assim a qualificação para a corrida.


Após a Austrália, o desastre foi tão grande que os patrocinadores abandonaram imediatamente a equipa. A Lola ainda enviou os carros para o Brasil mas nem saíram da garagem e a equipa abandonou o Mundial por falta de fundos, terminando assim e apenas após duas corridas, a sua aventura na Fórmula 1. No final, ficaram com um saldo negativo de 6 milhões de libras no cartão de crédito que resultou na falência da própria Lola Cars uns meses mais tarde. Felizmente a Lola ainda foi salva por um investidor e sobreviveu até 2012, ano em que faliu de vez.



Uma pena que "board decisions" tenham matado não só um projecto promissor como também um histórico fabricante de monolugares.


No final, fica não só um estrondoso falhanço numa equipa que tinha tudo para dar certo, como uma lição de como não gerir um projecto de Fórmula 1 – ou como não deixar investidores decidirem o rumo de uma equipa.


TL, DR: Lola, pequeno construtor com longo historial de fabricar e fornecer chassis para outras equipas decide tentar a sorte por conta própria. Arranja patrocínio de grande multinacional, MasterCard, que não está para esperar pelo desenvolvimento e exige que a equipa comece um ano antes do previsto. Carro não estava pronto nem devidamente testado, é extremamente lento e pouco competitivo, patrocinador sai fora, equipa abandona o Mundial e construtor vai à falência.

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Imagem "sobre nós": https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Pedro_Lamy_-_Imola_1996.jpg

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