Dá-te asas! Para voares daqui para fora...

Dá-te asas! Para voares daqui para fora...

Atualizado: 13 de Out de 2019



A recente despromoção de Pierre Gasly à Toro Rosso por troca com Alexander Albon tem trazido à baila histórias de troca de pilotos e entre equipas. Decidimos focar-nos na escola Red Bull e ver as trocas a meio da época que têm ocorrido na esfera dos Touros Vermelhos desde que entraram na Fórmula 1 como construtores em 2005.


Escola de campeões ou destruidores de talentos? A lista que se segue não responde a esta questão mas dá-nos uma boa visão da exigência que reina na equipa austríaca.


2006 - Em 2005, no primeiro ano da Red Bull como construtor na Fórmula 1, Christian Klien e Vitantonio Liuzzi dividiam o segundo carro da equipa austríaca, com David Coulthard a ocupar o principal lugar. Com a compra da Minardi e o nascimento da Toro Rosso em 2006, a equipa passou a dispor de mais lugares para colocar os seus pilotos e Klien ficou com o segundo carro a tempo inteiro. Contudo, em Agosto a Red Bull anunciou que Mark Webber iria juntar-se à equipa no ano seguinte, deixando Klien de fora. A Red Bull ofereceu a Klien um lugar numa equipa apoiada por si na IndyCar/ChampCar mas Klien recusou a mudança para os States e decidiu procurar um lugar a tempo inteiro na Fórmula 1 para 2007. A Red Bull decidiu então excluí-lo do seu universo de pilotos e Klien já não fez as últimas três corridas com a equipa sendo substituído por Robert Doornbos.

Klien acabaria por não regressar em 2007 nem em 2008. Depois de passagens pelo lugar de piloto de testes na Honda e na BMW-Sauber acabaria por voltar a correr apenas em 2010 em três grandes prémios pela extinta Hispânia Racing Team. Depois disso, Klien tem-se mantido activo em categorias como o Super GT, WEC, onde foi piloto de fábrica da Peugeot, V8 Supercars e Blancpain GT Series, onde de resto se mantém. Doornbos manteve-se depois um ano como piloto de testes da Red Bull em paralelo com a participação no ChampCar. Depois de participações na A1GP, Superleague Formula e um regresso à IndyCar em 2009, não voltou a competir em campeonatos de relevo.


2007 - Scott Speed era uma aposta da Red Bull para o mercado americano. Aquando da compra da Minardi para ter uma equipa júnior onde colocar os pilotos da academia a correr, Speed foi uma das primeiras apostas juntamente com Vitantonio Liuzzi. Speed foi o primeiro norte-americano a correr na F1 desde Michael Andretti em 1993. No entanto o norte-americano nunca conseguiu resultados de relevo e a partir do GP da Hungria foi substituído por um tal Sebastian Vettel que estava então emprestado à BMW-Sauber como piloto de testes e onde se havia estreado umas semanas antes nos Estados Unidos para substituir Robert Kubica enquanto recuperava do seu violento acidente no Canadá. A mudança terá sido despoletada, alegadamente, não só pelos maus resultados mas sobretudo devido a um confronto físico com Franz Tost. Vettel rapidamente mostrou melhores resultados que Speed e na época seguinte viria mesmo a conseguir a primeira pole position de sempre para si e para a equipa (feito que lhe permite ainda hoje deter o marco de piloto mais novo de sempre a consegui-lo) em Monza, seguida também da sua primeira vitória, a qual permanece até hoje como a única vitória da Toro Rosso na Fórmula 1.

Quanto a Speed, regressou aos Estados Unidos para uma carreira na NASCAR, IndyCar e mais tarde ainda pela Fórmula E. Actualmente é piloto da Subaru USA no campeonato americano de Rallycross.


2009 - Sébastien Bourdais era já um piloto consagrado quando se estreou na Fórmula 1 em 2008. Bourdais já tinha sido piloto de testes da Arrows em 2002 e tinha o lugar prometido para 2003 quando a equipa foi à falência. No final desse ano perdeu também a hipótese de ser piloto de testes para a Renault ao ser preterido por Franck Montagny. Depois disso foi para os Estados Unidos onde foi campeão da Champ Car entre 2004 e 2007. Depois de uma primeira época mediana em 2008, a segunda época não estava a ser melhor. Bourdais estava a ter dificuldade em bater o seu colega, o rookie Sébastien Buémi e no GP de Espanha, Bourdais causou um acidente que colocou os dois STR de fora e viu-se novamente de fora em Silverstone após se envolver desta feita com Kovaleinen. Por fim na Alemanha desistiu por problemas mecânicos e viria a ser deixado de fora após essa corrida. Tal como sucedeu com Vettel, também o seu substituto, Jaime Alguersuari se estreou pela equipa na Hungria para se tornar então no piloto mais novo de sempre a correr na Fórmula 1. Após a Toro Rosso, Bourdais manteve uma longa e bem sucedida carreira, passando pelos turismo, superleague formula, WRC, 24h de Le Mans, IndyCar e INSS, categorias onde se mantém activo. Alguersuari manteve-se mais duas épocas na Toro Rosso sem nunca conseguir resultados de relevo e após o final da temporada de 2011 saiu da Toro Rosso e da Fórmula 1. Fez uma época na Fórmula E e aos 25 anos terminou a carreira no automobilismo. É actualmente DJ onde é conhecido por DJ Squire.


2016 - em 2015 a saída de Sebastian Vettel para a Ferrari trouxe Daniil Kvyat para a equipa principal ao lado da Daniel Ricciardo. Para 2016 o alinhamento manteve-se mas não havia de durar muito. Apesar de Kvyat até ter terminado a época anterior à frente de Ricciardo, o início da temporada não foi fácil para o russo. Na Austrália desistiu na volta de aquecimento devido a um problema eléctrico e no Bahrein foi sétimo após um toque com Nico Hulkenberg. Na China Kvyat parecia ter reencontrado os bons resultados e obteve um terceiro lugar e o seu segundo pódio da carreira. No entanto, no grande prémio seguinte, a correr em casa, na Rússia, Kvyat caiu em desgraça após "torpedar" por duas vezes Sebastian Vettel. Na corrida seguinte, em Espanha, a Red Bull anunciou que Kvyat seria despromovido à Toro Rosso por troca com Max Verstappen.


2017 - após a despromoção à Toro Rosso em 2016, o pesadelo de Kvyat ainda não tinha acabado. O piloto russo começou a temporada de 2017 onde tinha acabado a anterior, na Toro Rosso. No entanto, Kvyat parecia não ter recuperado psicologicamente da mudança e os resultados alcançados foram fracos, com apenas duas presenças nos pontos com nonos lugares na Austrália e Espanha. Por contraste, o seu colega de equipa, Carlos Sainz, era presença regular nos pontos, tendo 36 pontos contra os 4 de Kvyat após Singapura. Face a estes resultados, a Red Bull decide prescindir uma vez mais dos serviços de Kvyat, desta vez cedendo o lugar do russo na Toro Rosso ao estreante Pierre Gasly. Kvyat iria voltar para o GP dos Estados Unidos, onde até marcou um ponto, para substituir Gasly que tinha a derradeira jornada do campeonato japonês de Super Formula na mesma data. Simultaneamente, Carlos Sainz deixa a equipa para ir ocupar a vaga de Jolyon Palmer na Renault, deixando a Toro Rosso de repente com duas vagas livres. Kvyat regressa então à equipa para ocupar uma das vagas mas não havia ninguém no programa de jovens da Red Bull para ocupar a outra vaga. A equipa decide então ir repescar o neo-zelandês Brendon Hartley ao WEC. Hartley tinha estado no programa de jovens tendo ficado pelo caminho e tinha assim as portas abertas para a Fórmula 1. Após o GP dos Estados Unidos, com o regresso de Gasly e apesar do melhor desempenho de Kvyat face a Hartley, a Red Bull anuncia uma vez mais que irá dispensar Kvyat e manter Gasly e Hartley até final da temporada, alinhamento que manteve em 2018.

Kvyat deixaria o programa Red Bull com efeitos imediatos e iria ocupar o lugar de piloto de testes da Ferrari. Em 2019, após Daniel Ricciardo ter saído da Red Bull para a Renault, Pierre Gasly ocupou a vaga do australiano na Red Bull e Kvyat foi chamado uma vez mais para a Toro Rosso.


2019 - chegados ao início da temporada deste ano Pierre Gasly é então chamado a ocupar a vaga ao lado de Max Verstappen na equipa sénior dos touros. As coisas não começaram bem para Gasly que logo na Austrália ficou em décimo primeiro quando Max Verstappen conseguiu ir ao pódio ocupando a terceira posição. Ao longo da época os resultados de Gasly melhoram ligeiramente mas sempre muito longe de Verstappen. Enquanto Verstappen lutava por pódios e alcançava vitórias, Gasly num carro idêntico lutava para ficar à frente do segundo pelotão (nem sempre com sucesso), chegando por duas vezes a ser dobrado em pista pelo companheiro de equipa. Em Silverstone Gasly conseguiu o melhor resultado da época, um quarto lugar, mas nas duas corridas seguintes voltou à forma anterior. A gota de água veio na Hungria com o piloto da Red Bull a ser dobrado por Max Verstappen, numa corrida em que o holandês precisava apenas que Gasly estivesse atrás do duo da frente para trazer a vitória para a sua equipa. Apesar de Helmut Marko ter garantido no início de Agosto que Gasly ficava até final da época, no dia 12 do mesmo mês a Red Bull anuncia a troca de Gasly pelo rookie em ascensão da Toro Rosso, Alexander Albon. Albon que no início da temporada tinha presença garantida na Formula E, só à última hora conseguiu um lugar na Fórmula 1, e alguns meses depois vê-se assim promovido a uma equipa de topo. Kvyat vê-se novamente no meio de uma guerra de troca de pilotos da Red Bull porque após o seu regresso vinha conseguindo uma época muito sólida, sendo o melhor classificado dos dois carros e tendo até conseguido um pódio na Alemanha, o primeiro para a Toro Rosso desde a vitória de Vettel em Monza 2008. Contudo, e apesar da maior experiência de Kvyat, é Albon a estrela que se segue na constelação da Red Bull.


Estará à altura do desafio ou será mais um piloto para esta roda de trocas? Nós estaremos cá para acompanhar.

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Imagem "sobre nós": https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Pedro_Lamy_-_Imola_1996.jpg

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