A Aston Martin na Fórmula 1

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A Aston Martin na Fórmula 1

O regresso da Aston Martin


2021 será um ano de grandes mudanças na Fórmula 1: pela primeira vez haverá um tecto orçamental na disciplina e os carros serão construídos de acordo com um regulamento aerodinâmico totalmente novo. Só por si são novidades suficientes para deixar os fãs entusiasmados com a nova época mas recentemente ficamos a saber de mais um motivo de interesse para o próximo ano: Lawrence Stroll, pai de Lance Stroll e principal accionista da #notForceIndia Racing Point, juntamente com um consórcio de investidores, adquiriu a Aston Martin por 182 milhões de libras aos quais se juntam ainda uma injecção de capital na ordem dos 318 milhões de libras. O que quer isto dizer? Por esta altura até quem não acompanha a Fórmula 1, em 2021 a Aston Martin Racing irá competir na Fórmula 1.


Por enquanto são só autocolantes num Red Bull... mas em 2021 a Aston Martin estará de regresso à Fórmula 1 em nome próprio.

Esta operação será mais do que um simples rebranding ou apenas alguns autocolantes no carro (sim Alfa Romeo, estamos a falar contigo), o projecto de Stroll passa mesmo por tornar o que é hoje a Racing Point no braço de competição da Aston Martin. Para isso já está em construção, mesmo ao lado das antigas instalações do tempo da Jordan, uma nova fábrica construída de raiz que não irá substituir a antiga (que ficará para armazém, logística e estacionamento) mas sim permitir a expansão da operação. Stroll já tinha anunciado, aquando da compra da Force India, que o nome Racing Point seria temporário. Dinheiro também não será problema, pelo menos a julgar pela fortuna pessoal de Stroll avaliada em mais de 2,4 mil milhões de dólares por isso tudo indica que a Aston Martin será uma força a ter em conta na Fórmula.


A primeira passagem da Aston Martin pela Fórmula 1


Terão passado praticamente 61 anos desde que um Aston alinhou à partida para um Grande Prémio pela última vez quando o construtor britânico voltar a ter um carro na grelha de partida de uma prova do Mundial. Para um nome com tantos pergaminhos é legítimo perguntar: será a nova equipa capaz de fazer melhor do que foi feito na primeira passagem pela Fórmula 1? A resposta é muito fácil e só pode ser uma: claro que sim.


A verdade é que apesar de toda a tradição desportiva que os carros trazem, a sua passagem pelo Fórmula 1 durante as temporadas de 1959 e 1960 foi medíocre. Desde as suas origens, em 1913, que a Aston Martin participava em várias provas de prestígio como o Grande Prémio de França, as 24h de Le Mans ou diversos eventos de resistência em Brooklands mas foi só desde que o industrial inglês David Brown comprou a marca que a Aston alcançou o sucesso e prestígio que lhe permitiu manter-se viva até aos dias de hoje. É precisamente por causa de David Brown que ainda hoje a sigla “DB” é uma presença habitual nos Astons e foi também ele que impulsionou o programa desportivo que iria culminar com a vitória nas 24h de Le Mans em 1959 num DBR1/300 pilotado por Roy Salvadori e Carroll Shelby (esse mesmo, o dos Cobras). Nesse mesmo ano David Brown decide também estrear-se no mundial de Fórmula 1 com o DBR4/250.


Roy Salvadori ao volante do DBR4 em 1959.

A equipa apresentou-se em apenas 4 das 9 provas que compunham o campeonato com dois carros para a mesma dupla que venceu Le Mans. Infelizmente para a Aston Martin e para Shelby e Salvadori, o DBR4 chegou demasiado tarde ao Mundial. Num ano dominado pelos revolucionários Cooper-Climax de motor central, o carro equipado com o 6 cilindros em linha de 2500cc colocado em posição dianteira provou ser demasiado pesado e tecnologicamente ultrapassado. De qualquer forma, após falhar as duas rondas iniciais no Mónaco e em Indianápolis (onde na verdade nenhum construtor ia), a Aston Martin estreou-se finalmente no Mundial de Fórmula 1 em 31 de Maio de 1959, em Zandvoort, no GP da Holanda. Curiosamente, outro regresso, mas este já para 2020. O carro tinha sido apresentado em Abril e corrido pela primeira vez no BRDC Trophy, uma prova extra-campeonato, no início de Maio onde teve resultados encorajadores (um segundo e um sexto lugares) mas desta vez em Zandvoort ambos os carros desistiram nas primeiras voltas com problemas mecânicos depois de apenas se terem qualificado em décimo e décimo-terceiro.


A Aston Martin no arranque para o GP da Grã Bretanha de 1959. Roy Salvadori no carro #2 e Carrol Shelby no carro #4.

Os resultado não melhoraram ao longo do ano. Shelby voltou a desistir em Silverstone onde Salvadori conseguiu um sexto lugar. No GP de Portugal, no Circuito de Monsanto, a Aston Martin conseguiu o seu melhor resultado de conjunto de sempre, um sexto e um oitavo lugar para Salvadori e Shelby, respectivamente. Ainda assim, numa altura em que apenas os cinco primeiros pontuavam, a Aston Martin terminou a temporada sem qualquer ponto, após Salvadori desistir em Itália e Shelby apenas conseguir um décimo lugar. Pelo meio a equipa não participou em França, Alemanha e Estados Unidos.


Para 1960 a Aston Martin trabalhou numa evolução do DBR4 que viria a ser o DBR5, o qual era essencialmente um DBR4 mais compacto e mais leve. Contudo, isto não serviu de nada para contrariar o crescente domínio dos novos carros de motor central. Enquanto o novo carro não estava pronto, a Aston Martin ainda enviou um DBR4 para Roy Salvadori participar no GP da Holanda. Contudo, após os treinos livres a equipa retirou-se e não participou na corrida devido a uma disputa com a organização sobre os valores de inscrição. O DBR5 viria a estrear-se apenas no GP da Grã-Bretanha, em Julho, novamente com dois carros inscritos agora para Roy Salvadori e Maurice Trintignant. Salvadori desistiu à volta 46 com um problema na direcção e Trintignant seria apenas décimo-primeiro a cinco voltas do Cooper-Climax vencedor de Jack Brabham e dos Lotus de John Surtess e Innes Ireland. O DBR5 estava completamente ultrapassado e isso ficou bem claro para todos. Após a corrida de Silverstone, a Aston Martin decidiu terminar o seu programa de Fórmula 1 para concentrar esforços no seu bem sucedido programa de Sports-Car.


Roy Salvadori ao volante do DBR5 na única prova do Mundial onde participou, o GP da Grã-Bretanha de 1960.

Quanto aos carros, alguns DBR4 sobreviveram, agora equipados com um mais potento motor de 3000cc (DBR4/300) e foram enviados para a Austrália onde correram até 1963 conseguindo algum sucesso no campeonato local de Fórmula Libre. Os DBR5 não tiveram tanta sorte e seriam desmantelados no ano seguinte.


Na era moderna


Só há uma coisa tão frequente na história da Aston Martin como a existência de grandes carros desportivos: os problemas financeiros. No início dos anos 70 a Aston estava falida e a David Brown Ltd. teve que vender a marca à banca. Nos anos que se seguiram a Aston foi passando por diversas mãos e por outras tantas bancarrotas até ir parar às mãos da Ford em 1991 onde viria a reencontrar a glória nos Sport-Protótipos e nos GTs. Apesar de ter reencontrado o sucesso na competição, a Fórmula 1 esteve fora do radar do fabricante inglês até voltar a sair das mãos do gigante americano em 2007. Desta vez foi parar às mãos de um consórcio liderado por David Richards e pela sua Prodrive. Para os mais distraídos, a Prodive é “apenas” a responsável pelo multi-titulado programa da Subaru no Mundial de Rallys. A ligação à Fórmula 1 vem dos tempos da BAR-Honda, gerida pela Prodrive e por David Richards entre 2002 e 2004. O contrato era de 5 anos mas foi terminado prematuramente com compra da BAR pela Honda no final de 2004 que, coincidência ou não, foi também a melhor classificação de sempre da equipa (segundo lugar nos construtores). Entretanto, desde 2004 que a Prodrive e a Aston Martin estavam ligadas com a Prodrive a estar responsável pelo programa de GTs da Aston desde essa altura até à actualidade. Richards e a Prodrive voltaram a tentar à Fórmula 1, desta vez em nome próprio, em 2007 mas a sua candidatura acabaria por ser vetada. Em 2010, com as vagas abertas para 4 novas equipas, a Prodrive era novamente uma das candidaturas mais fortes. Com a Aston Martin sob controlo da Prodrive desde 2007, o projecto era inscrever a equipa Prodrive com o nome… Aston Martin Racing.


David Richards e a Prodrive estiveram à frente dos destinos da BAR entre 2002 e 2004, culminando com um segundo lugar entre os construtores em 2004 até a Honda tomar conta da equipa. Em 2010 a Prodrive tentou inscrever uma equipa própria com a Aston Martin.

O projecto Prodrive/Aston Martin acabou por ser preterido em favor da Lotus/Caterham, Manor/Virgin, HRT/Campos e US F1, esta última não chegou sequer a participar em nenhum Grande Prémio. Em Dezembro de 2012 a Aston foi novamente vendida ao consórcio Investindustrial. Com mais esta mudança de mãos, David Richards deixou o seu lugar à frente dos destinos do construtor inglês, mantendo-se a única ligação com Richards e a Prodrive através do programa de GTs.


A Prodrive e a Aston Martin mantêm uma parceria nos GTs desde o tempo do DBR9.

Avançando para 2015, numa altura em que a Force India de Vijay Mallya já lutava com os problemas financeiros que poucos anos mais tarde iriam fazer com que a equipa passasse para o controlo de Lawrance Stroll e se tornasse na Racing Point, um negócio esteve muito perto de se concretizar com a Aston Martin: o construtor inglês iria entrar na equipa do indiano como patrocinador e a equipa seria nomeada Aston Martin Racing (à semalhança do que aconteceu com a Alfa Romeo e a Sauber). A decoração seria azul e dourada pois neste negócio estaria também envolvido um patrocínio da Diageo, mais concretamente da sua marca Johnie Walker. O negócio acabou por não se concretizar e foi preciso esperar até 2018 para voltar a ver o nome da Aston Martin na Fórmula 1… mas apenas como patrocinador. Falhado o acordo com a Force India, os ingleses viraram-se para a Red Bull e tornaram-se patrocinadores principais da equipa austríaca que assim passou a ser inscrita como Aston Martin Red Bull Racing. Fruto desta parceria nasceria também o Valkyrie, um hipercarro construído juntamente com a Red Bull Advanced Technologies e sob direcção do director técnico da Red Bull, Adrian Newey. Durante a parceria com a Red Bull conseguiram dois terceiros lugares no Mundial de construtores e um terceiros e um quarto, ambos com Max Verstappen, no Mundial de pilotos. O acordo irá manter-se ainda durante a temporada de 2020.


A Aston Martin está presente na F1 desde 2018 como patrocinadora da Red Bull Racing. Do acordo resultou também uma parceria técnica entre as duas marcas.

Voltando à Force India, a meio da temporada de 2018 Vijay Mallya é preso e a delicada situação financeira da equipa agrava-se e leva ao seu encerramento. Lawrence Stroll compra a equipa e mantém-na a correr. Finalmente em 2021 o casamento com a Aston Martin que falhou em 2015 acontece mesmo, agora tudo debaixo dos mesmos donos e com todas as condições para colocar o nome da Aston Martin no lugar mais alto da mais importante competição automóvel do mundo. Quanto à parceria com a Red Bull, mantém-se no projecto Valkyrie e durante o ano de 2020 na Fórmula 1. O projecto conjunto no WEC é ainda uma incógnita. Por fim, recuando um pouco até 2013, diga-se que a Mercedes comprou por essa altura uma participação de 5% na Aston Martin. A mesma Mercedes que vinha fornecendo motores à Force India e à Racing Point desde 2009. O principal objectivo do acordo com a Mercedes era esse mesmo: com a saída da Aston do Grupo Ford, o pequeno construtor inglês não tinha capacidade de construir os seus próprios motores e com este acordo a Mercedes passou a garantir o fornecimento de motores e sistemas electrónicos. Com esta fusão da Aston Martin e Racing Point, fecha-se o círculo.


Em 2018 Lawrence Stroll comprou a Force India a Vijay Mallya e tornou-a na Racing Point. Agora assume também o controlo na Aston Martin e a Racing Point tornar-se-à na Aston Martin F1 em 2021.

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