A última vitória de uma equipa Americana na F1

A última vitória de uma equipa Americana na F1

Atualizado: 13 de Out de 2019


O amor ao automobilismo é fácil de compreender, máquinas fantásticas, conduzidas por seres emotivos é simplesmente uma mescla de génio, misturar a perfeição milimétrica da engenharia com a imperfeição humana é um menu delicioso.


Ainda assim nem sempre é fácil conciliar as paixões dos “petrol heads”, choques de cultura talvez? Procura de outros pontos de interesse dentro do desporto motorizado? É assim entre a Formula 1 e os Estados Unidos da América.


Do outro lado do charco até veio um campeão, Mario Andretti, mas eventualmente até se pode dizer que tem sangue europeu, não fosse ele natural de Itália.


No que toca às equipas nos dias de hoje, temos a Haas. A sua presença é sui generis, e diferente das outras scuderias. Claramente um modelo que faz sentido a curto prazo, mas ainda existem muitas incógnitas para o futuro. A equipa de Gene Haas, liderada pelo grande Gunther Steiner, é a mais pequena do pelotão e tira partido ao máximo das regras para obter componentes com origem em outro fabricante. Inclusivamente o seu chassis é desenvolvido fora de portas, pela Dallara.


Nos meados dos anos 70, a equipa americana que dava que falar era a histórica Penske, ainda hoje na ribalta sobretudo na NASCAR e IndyCar, onde aliás consagrou pilotos como Gil de Ferran (um dos responsáveis pelo programa Indy da McLaren para 2020), Sam Hornish Jr., Will Power, Simon Pagenaud e Josef Newgarden (actual líder do campeonato).

A aventura na F1 começou em 1971, curiosamente também pelas mãos da McLaren, neste caso Penske era apenas um patrocinador, em troca a McLaren inscreveu Mark Donohue no GP do Canadá, terminando no pódio.


Três anos depois a equipa desenvolve o chassis PC1 com motor Cosworth DFV. Mas só em 1975 é que a equipa decide participar em todas as provas do campeonato. Novamente Mark Donohue era o piloto escolhido por Roger Penske para o assalto. A época não correu de feição aos Americanos, o melhor resultado aparecia no GP da Suécia, um 5º lugar, e após o GP de França a equipa inscreve um chassis March 751 para o restava do calendário. Logo de seguida na Grã-Bretanha Donohue iguala o melhor resultado obtido até então, novo 5º lugar. Após abandono na Alemanha, chegava o circo à Áustria


Mark Donohue vinha motivado, tinha batido um recorde de velocidade em Talladega. Infelizmente nos treinos livres, após uma falha num pneu, despista-se na Vöest Hügel Kurve, a curva mais rápida do circuito, do acidente um marshall perde a vida. Donohue parecia ter saído do violento episódio sem problemas de maior, ainda assim e devido a uma dor de cabeça que teimava em não desaparecer dirige-se ao Hospital no dia seguinte, era tarde demais, o acidente havia provocado uma hemorragia cerebral, pouco depois entraria em coma, e ele como muitos outras desta altura do desporto motorizado perdia a vida. Roger Penske sentia também ele o lado mais cruel desta era do automobilismo.

1976 e a equipa apresenta dois novos chassis conduzidos pelo seu outro piloto, John Watson, o pouco competitivo PC3 e o bastante melhorado PC4. Novamente a caravana chega ao fatídico GP da Áustria. Exactamente um ano depois da equipa perder Mark Donohue.


Antes do fim de semana haviam rumores de que podia ser cancelado, a Ferrari não participava em protesto ao facto da vitória no GP de Espanha ter sido devolvida a James Hunt, o herói local, Niki Lauda estava no hospital a recuperar do seu grave acidente e os pilotos Otto Stuppacher e Karl Oppitzhause tentavam convencer outras equipas a não participar uma vez que lhes tinha sido negada essa possibilidade por não terem experiência suficiente.


O GP da Áustria seguiu em frente ainda assim. James Hunt tinha a pole position e bem posicionado para mais uma vitória. Mas este dia seria da Penske, John Watson iria oferecer à equipa a sua primeira e única vitória na F1 e coincidentemente a última de uma equipa Americana até ao dia de hoje. O dia não podia ter sido escolhido de melhor forma, uma história digna de Hollywood.


Chegava o fim da época,a redenção da vitória na Áustria, precisamente um ano depois do pior dia da equipa não foi suficiente, e Roger Penske estava cansado, da Formula 1, da Europa e decide vender a equipa a Gunther Schmidt para se concentrar na IndyCar. Agora, os olhos do fanáticos americanos estão em outro nome histórico para terem novas alegrias, Gene Haas.

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Imagem "sobre nós": https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Pedro_Lamy_-_Imola_1996.jpg

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